sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Oxalufan e a primeira Pombagira...

Maria Madalena: a serva do Senhor e protetora dos excluídos.


Maria Madalena, a quem Jesus concedeu especial atenção e perdão, foi uma das mulheres presentes na ressureição de Cristo. Foi dado a ela, juntamente com Maria de Nazaré e uma terceira, também chamada Maria, provavelmente irmã de Lázaro, o direito de encontrar o sepulcro vazio. E por que as mulheres tiveram o privilégio de confirmar primeiro a ressureição de Jesus? Porque são as mulheres as geradoras da vida.
Maria Madalena acreditava que Jesus Cristo realmente era o Messias. (Lucas 8:2; 11:26; Marcos 16:9). Madalena esteve presente na crucificação e no funeral de Cristo, juntamente com a mãe de Jesus e outras mulheres (Mateus 27:56; Marcos 15:40; Lucas 23:49; João 19.25). No sábado após a crucificação, saiu do Calvário rumo a Jerusalém para poder comprar perfumes, a fim de preparar o corpo de Cristo da forma como era de costume. Permaneceu na cidade durante todo o dia e "quando ainda estava escuro" foi ao sepulcro e achou-o vazio. As mulheres receberam de um Anjo a notícia de que Jesus havia ressuscitado e foi-lhes dito que deviam informar tal fato aos apóstolos. (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-5,10,11; Lucas 24:1-10; João 20:1,2; compare com João 20:11-18).
Como o nome Maria era muito comum na época, confunde-se muito sua história com a de outras Marias, inclusive com a Maria do apedrejamento e a Maria dos "sete demônios". De qualquer forma, estamos distantes dois mil anos dos acontecimentos, difícil será sabermos totalmente toda verdade. Hoje o que podemos relatar é o que os espíritos nos contame e o que aprendemos de geração a geração, através de manuscritos e livros.
Maria Madalena ou Maria de Magdala foi escolhida como protetora das Pombagiras por conhecer de perto a discriminação e o preconceito pelo qual passavam as mulheres diferentes da sociedade local. Por conta disso, dedicamos a ela essa postagem e a todas as pombagiras e servas legionárias de Maria, pois são elas que recolhem os espíritos combalidos e sofridos, depositados no Umbral das misérias humanas. Que Jesus se compadeça de nós, como se compadeceu de todas as Marias desse mundo...
 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pombagira Maria Padilha das Trevas...

Dona absoluta da noite e da madrugada!


Ela nasceu numa época em que a Terra era dominada por guerras e disputas, na região de Mansur - um antigo vilarego da Galícia, e que já não existe mais... Servínia era uma simples camponesa da religião pagã, que servia ao deus Cernunos e a deusa Brigithe. Era o começo do século I e ela conheceu um homem forte e alto que era chamado de Thiago, o Grande, por seus companheiros. Ele falava de um Homem que passou pela Terra e foi crucificado em uma cruz por um crime que não cometeu. Falou dos milagres que esse Homem fazia e disse que Ele podia modificar a vida das pessoas. Servínia ficava observando aqueles homens diferentes. Todos os dias, esses homens reuniam as pessoas do vilarejo e contavam histórias maravilhosas desse Homem que fazia milagres. Servínia, estava com 14 anos e começou a sentir vontade de conhecer pessoalmente esse Homem, chamado Jesus e sua Mãe, chamada Maria. Seus deuses estavam longe e os homens de sua terra eram cada vez mais cruéis. Como seus pais estavam em idade avançada, ela temia por si e pelos seus irmãos.
Um dia, esse tal de Thiago, partiu juntamente com seus discípulos e nunca mais voltou. Sua terra foi invadida por mouros, foi saqueada e muitos foram mortos. Aqueles que não morreram, foram escravizados ou vendidos. Ela foi levada como escrava para o harém particular de um famoso Sheik; pois era uma moça de uma beleza única. Servínia tornou-se escrava sexual e sua vida passou a ser a mesma todos os dias. Ela comparava sua vida com as folhas de uma árvore em época de outono. Muitas vezes, desanimou... E muitas vezes relembrou de Cernunos e Brigithe, seus deuses pagãos. Mas, também relembrou das histórias de um homem chamado Thiago, o Grande, sobre Jesus e Maria... Tudo isso aquietava seu coração e acalmava seu desejo de suicídio, pois ela lembrava que nas histórias de Thiago ele sempre repetia que a vida era sagrada para Deus. Quando faziam dez anos que Servínia estava sob o domínio dos mouros, eles foram atacados pelos visigodos e todos pereceram a golpe de espada, inclusive ela. Em seu último suspiro, Servínia clamou por Cernunos, por Brigithe, por Jesus e por Maria, pedindo que tivessem piedade de sua alma. Seu espírito entrou em uma esfera de luz branca e foi recolhido em um local para tratamento...
Um longo tempo depois ela reencarnou na região da Península Ibérica, no país de Gales, como filha dos Duques de uma das regiões. Seu nome era Rosácea e sua vida era cheia de privilégios. Seus pais eram muito Cristãos, pois nessa época o Cristianismo já dominava a Europa e era aceito por muitos. Corria pela Europa a história de um monge chamado Pelayo, que descobriu os restos mortais do apóstolo Thiago o Maior e para confirmar o achado havia avistado um campus stellae (Campos de Estrela) - mais tarde chamado de "Compostela". Assim iniciou-se a trajetória do caminho de São Thiago de Compostela. Rosácea ao ouvir essas histórias sentia-se atraída, sem saber explicar porquê... Quando falavam dos pagãos, dos druídas e das bruxas, ela também se sentia afeiçoada a eles, mas guardava tudo isso consigo. Rosácea morreu cedo nessa vida, pois adquiriu tuberculose e ninguém conseguiu curá-la.
Tempos depois ela reencarnou novamente, dessa vez na Turquia, entre os Islamitas, como filha de um Sheik muçulmano. Era a época das Cruzadas e seu coração não entendia o sentido dessa guerra. Ela queria muito entender porque os homens guerreavam entre si. Seu nome de batismo no Islão era Medina. Um dia quando foi ao poço da região dos acampados para colher água, ela foi surpreendida por um soldado ferido cristão. Num primeiro momento assustou-se, mas depois, deu-lhe água e carregou-o para uma caverna nas proximidades. Deixou-o lá descansando. Então, todos os dias, visitava-o, leva-lhe água, alimentos e unguento para passar nos ferimentos. Com o tempo, os dois apaixonaram-se e começaram a entender-se. Felipe, esse era o nome do soldado, convidou Medina para fugirem juntos para outras regiões, longe de toda essa guerra e disputa. Ela preparou tudo e combinaram o dia da fuga, mas o pai de Medina os surpreendeu e mandou que seus soldados prendessem e matassem Felipe. Medina, como castigo pela sua traição, foi vendida para um Fakir da Arábia Saudita, onde se tornou odalisca de seu harém. Medina, dessa vez não aguentou o golpe e suicidou-se com veneno de cicuta.
Seu espírito vagou por muitos anos pelo Umbral e ela despertou em um Reino desconhecido, chamado Aruanda. Estava maltratada, sofrida e desacreditada. Quem lhe atendeu foi um senhor negro que lhe disse apenas: sou um "preto-velho"... Ela foi cuidada, acarinhada e aos poucos recuperou-se. Ela assistiu toda a sua história de vida e descobriu porque passou por tantas provações. "Ela já havia sido homem no Antigo Egito e ocupado cargos de Ministro e Faraó em muitas vidas. Ele (ela) sempre abusava do poder e usava favores sexuais de suas escravas, que eram tiradas de suas famílias e trazidas de terras distantes. Como Faraó era vingativo e cruel com seus comandados e sempre castigava quem não lhe obedecia." Quando ela terminou de observar tudo, entendeu o que aconteceu, mas havia o crime de ter tirado a própria vida.
Então, o preto-velho lhe falou: " Nós, aqui da Colônia Aruanda, temos uma proposta a lhe fazer, desde que você aceite, não precisará reencarnar, mas terá que trabalhar muito! Seu trabalho será resgatar todas as pessoas, que assim como você, cairam em desgraça, por ódio, por sexualidade desequilibrada, por ganância, ou por qualquer vício terrreno. Você também trabalhará numa nova religião que surgirá numa terra que se chama Brasil: a Umbanda. Caso você aceite, será preparada para esse trabalho imediatamente e passará a atuar na faixa vibratória negativa inferior: o Umbral - acolhendo, encaminhando, instruindo e orientando. Mas, essa tarefa, você realizará como espírito feminino, pois seu lado masculino está apagado há muito tempo..." Ela consentiu com a cabeça e foi encaminhada para a sala de aula. Após o estudo, o preto-velho lhe tocou a fronte e ela transfigurou-se em uma mulher de rara beleza e ele disse: "Seu nome será Pombagira Maria Padilha das Trevas Absolutas. "Pombagira" porque em yorubá significa ser da dualidade; "Maria" por causa de nossa Protetora Maior; "Padilha" devido a espadilha - espada - guerreira; "das Trevas" para relembrar toda a obscuridade de nossa alma até alcançar a luz; e "Absolutas" porque você conhece muito do mundo e jamais deve esquecer que há um Ser Maior e Absoluto Acima de Nós. Agora vá e cumpra sua missão com dignidade!"

Pombagira das Marés - duas histórias e uma vida...

Ela foi retirada de sua família ainda criança; sequestrada por piratas que atracaram no arpoadouro de sua Terra Natal. Eles encantaram-se com a beleza da menina de longos cabelos negros e olhos cintilantes. Sua família nunca mais a viu ou ouviu falar dela. Na época, início do século XVII, ela tinha 15 anos e estava vendendo os frutos produzidos na propriedade de seus pais, junto ao cais do Porto de Marselha. Foi a última vez que viu a França e foi a última vez que soube o que é pureza... Não se jogou ao mar, pois era muito devota de Nossa Senhora, em todas as suas formas e aparições e acreditava em milagres.
Todas as noites rezava por alguma coisa que pudesse salvá-la desse destino. Ela era escrava sexual dos piratas, cozinheira, faxineira e realizava outras atividades que lhe eram impostas. Desde o dia em que foi retirada de sua terra, nunca mais falou ou sorriu ou derramou uma lágrima sequer. Apenas rezou todos os dias, pedindo a Deus clemência e misericórdia para seus dias cheios de dor e angústia. Quando faziam dois anos que estava a bordo do navio e já haviam viajado meio mundo; alguns piratas passaram a tratá-la com respeito e carinho e nunca mais a tocaram. Isso apazigou seu coração.
Então, um dia, eles aportaram em uma terra nova, diferente, cheia de pessoas mestiças, de pele escura, tatuadas, pintadas ou enfeitadas com penas de aves. Disseram a ela que essa terra era a América.
Ela se encantou com o lugar, com a natureza, com as pessoas, enfim, com tudo... Era diferente, colorido, fresco e, pela primeira vez, ela sorriu. Foi quando viu no meio das folhagens alguém a observando: era Tupiniquim, filho do Chefe Guaracy, dos Kaingangs. Ele sentiu em seu peito que Chefe Tupã o chamava para aquela moça e que ela era sua prometida. Observou durante o dia todo o movimento do navio e entendeu que ela era uma prisioneira, pois viu seus pés acorrentados. Sentiu seu coração triste e uma dor aguda congelou sua alma. Ele tinha que salvá-la!
Durante a noite, reuniu-se com seu pai, o Cacique da Tribo e narrou os fatos. Chefe Guaracy falou que índio não interferia em negociação de homem branco, ainda mais "aqueles homens" da bandeira negra do navio (piratas). Tupiniquim, não se amedrontou, reuniu seus amigos guerreiros e espreitou por mais um dia. Percebeu que, em determinados horários, ela ficava sozinha próximo a uma fogueira, preparando alimentos. Ele aproveitou essa distração dos piratas e avançou com seus amigos sobre a moça, agarrando-a e colocando-a sobre seus ombros. Saíram em disparada para as matas e levaram ela para a Oca da Mulheres, na Tribo Central. Os piratas nem viram o que aconteceu, pensaram que algum bicho selvagem pegou a moça. Tupiniquim explicou às índias que aquela moça era prisioneira do homem branco, mas não era como eles e pediu que a tratassem e a cuidassem.
Pela primeira vez, depois de tantos meses, ela sentiu que alguém a olhava como uma mulher e como uma igual. Deixou que a banhassem, que a trocassem e que a limpassem. Curaram suas feridas, lhe medicaram, lhe alimentaram, lhe acarinharam. Ela nunca havia chorado desde que saiu da França mas, naquele dia, todas as lágrimas saíram de seus olhos e ela chorou muito... Chorou de tristeza, de desespero, de medo, de raiva, de incompreensão e de insegurança. Apenas chorou, nada disse, mas as índias entenderam, pois desde que o homem branco havia chegado àquelas terras, elas já tinham ouvido falar de muitas histórias sobre sua selvageria. E ainda diziam que os índios eram os selvagens!
Ela esqueceu seu nome para sempre (Nádja) e aprendeu uma nova língua: o tupi-guarani. Chamaram-lhe de Jacy, por causa de seus cabelos longos e negros. Começou a ajudar as índias em seus afazeres e logo tornou-se uma delas. Estava feliz. Era livre... Pensou em seus pais e rezou a Deus por eles. De vez em quando, Tupiniquim lhe trazia uma flor, uma fruta ou uma pena de ave colorida e aos poucos eles foram se aproximando. Chefe Guaracy disse a Tupiniquim que ele deveria casar com uma índia e não com moça de outra raça, mas ele disse ao pai que seu coração já pertencia a ela, desde o dia em que a viu.
Quando fazia um ano que ela estava entre os índios, Tupiniquim lhe pediu em casamento. Ela teve medo, não era mais moça e sofreu muitos maus-tratos. Tupiniquim disse que não se importava e entendia tudo, ela não precisava falar nada. Ela aceitou. Chefe Guaracy celebrou a união junto com toda a Tribo e o Pagé Sagui. Foi uma festa! Todos os índios já gostavam de Jacy, pois ela uma moça boa e meiga. Eles só não entendiam porque ela olhava tantas vezes para o Céu e ajoelhava-se... Então, um dia, ela disse porque fazia isso: estava rezando para o seu Deus e Nossa Senhora. Explicou para os índios quem eles eram... Os índios falaram de Tupã, que era Deus, de M'Boi que era o filho dele e de Jacy, sua esposa... Falaram pra ela que ela parecia com Jacy e por isso recebeu esse nome. Então Nádja, entendeu que Nossa Senhora sempre cuidou dela, mesmo em outra nação, com outro idioma e com outra crença. E ela sentiu-se protegida e agradecida.
Jacy e Tupiniquim tiveram 8 filhos: quatro meninos e quatro meninas. Criaram todos livre e iguais. Com o tempo eles embrenharam-se mais nas matas para fugir do homem branco e das invasões. Jacy já era uma nativa indígena e esqueceu seu sangue europeu. Foi feliz nessa terra. Ela e Tupiniquim morreram abraçados na mesma rede, na Oca em que construíram. Já tinham dezesseis netos e dois bisnetos. Os índios diziam que eles eram almas prometidas e que os deuses os uniram no mesmo local.
Quando despertaram do outro lado, Tupiniquim tornou-se um Chefe Guerreiro que ajudou os falangeiros espirituais na luta contra a opressão e a escravização. Jacy (Nádja) foi convidada a trabalhar como falangeira socorrista de Maria Madalena, em nome de Nossa Senhora. Os dois atuariam em campos diferentes, mas poderiam sempre se ver e se auxiliar. Assim, temos Tupiniquim: um Caboclo Chefe de Direita, atuando na Linha de Oxóssi e Nádja, uma Pombagira da Linha das Águas, mas que pode, ocasionalmente, atuar na direita como Cabocla Jacy. Ela é uma entidade de dupla ação e dupla energia e pode trabalhar "cruzada", como falam nas giras.

Exu Sete Capas da Jurema e Pombagira Rainha das Matas...

Dois caminhos que se cruzaram e formaram uma só história.


Eles viveram no século XV, em meio ao caos da Inquisição e da Perseguição a todos aqueles que professassem uma religião ancestral. Ele era um soldado da Coroa Espanhola e trabalhava a serviço dos Inquisidores Negros. Ela era uma aprendiz da religião da Grande Deusa. Ele viajava muito para capturar os "traidores" da Coroa. Ela morava no norte da Irlanda, onde ainda se preservavam os costumes da religião pagã.
Quando ele passou pelo vilarejo a viu e trocaram olhares. Ela não sabia quem era aquele soldado ou o que ele fazia; muito menos ele desconfiou das suas tradições. Estavam apenas de passagem procurando vestígios da Antiga Religião e cúmplices dos rituais pagãos. Pernoitaram em uma pousada no vilarejo. Ela era a serviçal do local e o serviu durante todo o tempo em que ele esteve hospedado.
Dois dias depois, o regimento seguiu viagem para percorrer todo o território; mas, voltaram em alguns meses. Então, reencontraram-se e dessa vez decidiram estar juntos. Enquanto seu regimento seguiu viagem, ele ficou no Vilarejo por mais duas semanas. Conheceu os familiares dela e assumiram compromisso. Depois retornou à Espanha, para prosseguir com seu trabalho. Todo soldado da Inquisição trabalhava em sigilo, por isso ela não soube o que ele fazia. Os aldeões também guardavam segredo sobre suas práticas por medo de represálias.
Assim, eles assumiram um compromisso que estava entremeado ao destino de cada um... De seis em seis meses ele retornava ao Vilarejo para visitá-la. Marcaram as festividades para o casamento, que se realizaria dentro de um ano, pois ela ainda era menina-moça e ele precisava retornar para terminar alguns compromissos junto a Coroa Espanhola.
No decorrer desse tempo, a Inquisição Italiana assumiu a frente de capturar todos os seguidores da antiga religião e todos os Reinos passaram a servir ao Papado e a Aristocracia Romana. Eles não se viam há mais de três meses e muitas perseguições começaram a ocorrer durante esse período. Foi a época mais negra da história! O vilarejo foi devastado e ela foi levada em frente ao Tribunal da Inquisição Romana. Ele estava lá e a viu... Foi quando cada um soube a verdade sobre o outro.
Ele a procurou na prisão para conversar e ela lhe contou tudo. Ele ficou aflito, pois não sabia o que fazer e que atitude tomar... Tentou interceder por ela e explicou ao Sumo-Pontífice que ela era sua noiva e que nada tinha a ver com aquilo tudo; mas, foi em vão...  A sentença já estava decretada: ela seria decapitada como herege.
No dia da execução ele estava lá e quando o algoz ergueu o machado da execução, ele não se conteve: empunhou sua espada e subiu ao palco das condenações. Matou o algoz e cortou as cordas que prendiam sua amada. Porém, tudo foi em vão, porque em poucos minutos a guarda armada já havia cercado todo o tablado. O Bispo que a tudo assistia, insuflou a multidão dizendo: "Vejam: a feiticeira enfeitiçou nosso soldado! Queimem-na..."
Ela foi arrastada à fogueira e ele foi recolhido à masmorra, como traidor. Por ser soldado, não foi executado, mas terminou seus dias na prisão... Ela morreu em meio às chamas no centro da Cidade Romana. Encontraram-se anos depois no Plano Espiritual, para reconstruírem sua jornada juntos. Hoje, eles trabalham na Umbanda Sagrada e servem ao Amor Maior com dedicação e coragem.

domingo, 7 de setembro de 2014

Pombagira Lâmia

"Eu sou Pombagira de fé,
Metade cobra, metade mulher...
Derrubo qualquer feiticeiro,
Pois eu sou mulher de Lúcifer..."

Eu nasci e vivi na região da Lituânia do século XV, sob o reinado de Alput. Eu era descendente dos búlgaros romani - ciganos descendentes do Conde "Drácula". Vlad Tepes (o Empalador) era um governante sanguinário da Romênia e minha mãe possuía parentesco direto com sua linhagem. Nossa caravana viajava constantemente para evitar perseguições, devido a nossa herança ancestral.
Em nossa família, seguíamos as tradições dos antigos Balcãs (Otamanos) e sabíamos aplicar sortilégios e magias diversas em nossas peregrinações. Apesar de tudo isso, acreditávamos em Deus, Jesus e Maria, mas também acreditávamos nos nossos deuses nórdicos. Éramos perseguidos, justamente por sermos ciganos cristãos, pois os Otamanos eram mouros e a intolerância religiosa já ocorria naquela época.
Passamos a viver na região da Suécia e tivemos relativa paz, durante alguns anos. Eu casei-me com um descendente nórdico e tive dois filhos lindos - um menino e uma menina. Meu esposo era comerciante de peles, especiarias e tecidos diversos. Minha família prosseguia com o trabalho de comercialização de pedras preciosas e ouro.
Nossas comemorações eram festivas e alegres - comemorávamos tudo: colheitas, vendas, bons negócios, nascimento, casamento, entre outras festividades. Por isso, nem percebemos quando uma guerra iniciou e o estado começou a disputar interesses. Todos eram chamados a lutar e nós tentamos não tomar partido. Pensamos até mesmo em prosseguir viagem, mas nossos negócios estavam todos bem distribuídos na região.
Quando a disputa iniciou eu fiz algo que uma mulher naquela época não faria: agi politicamente. Eu era bonita e sedutora, então negociei nossa permanência e estabilidade com os governantes. Eu me envolvi (não tenho vergonha de falar) com cada um deles e usei minha magia para tê-los sob meus encantos. Assim, sem que quase ninguém soubesse, eu mantive nosso povo em liberdade e obtive a paz para nossa raça.
Eu fiquei grávida de um deles e sabia que essa criança poderia disputar a coroa, mesmo sendo um filho bastardo; mas, com isso, perderia meu esposo e o respeito de minha raça. Então, abandonei meu povo... Deixei meus filhos com o pai e segui para junto do governante. Aceitei sua proposta e fui viver com ele. O filho dele nasceu, um menino que herdaria o reino.
Eu não me tornei sua esposa, apenas uma concubina e serva do palácio. Mas, meu filho foi criado pelo rei e pela rainha, como filho legítimo. Eu senti saudades de minha antiga vida, de meu povo e de meu esposo. Mas, o que uma mulher não faz pelos seus? Eu fiz e não me arrependi...
Às vezes eu visitava o local do acampamento e ficava a sondar a distância para ver meus filhos. Meu esposo desposou outra cigana e teve mais filhos com ela. Paras eles eu era uma fugitiva. (...) Os anos passaram e meus filhos cresceram. O príncipe herdeiro (meu filho sem saber) tornou-se um rapaz nobre, bonito e inteligente. Ele deveria casar-se em breve para assumir o trono. Tudo o que eu planejara aconteceria... Porém, a vida nos prega peças e eu fui envolvida em uma delas.
O príncipe herdeiro escolheu uma jovem do povo para desposar. Dizem que ela era uma bonita filha de comerciante. Moça bem educada e de fino trato, foi aceita no palácio, mesmo não sendo da realeza. Eles estavam felizes com o noivado e já programavam a festividade do casamento. Foi quando eu a vi e algo me atravessou a alma. Era minha filha... Perante o Cristianismo eles não poderiam casar, mas de acordo com a Tradição dos Antigos Deuses, nada impediria.
Eu fiquei dividida, pois eles eram irmãos e somente eu sabia disso. De meu ventre haviam nascido dois herdeiros para o trono: um homem e uma mulher - dois irmãos. O que fazer? Permitir que eles se casassem e não interferir? Contar a um deles? Contar para meu ex-marido?
Nessa hora, rezei à antiga Deusa e pedi orientação. Ela, Brighit, que coabitara com seu irmão para dar um herdeiro à Terra, me entenderia... Senti que nada deveria fazer e deixei que as bodas acontecessem. Eles casaram e o casamento foi o maior acontecimento do reino. E eu assisti a tudo ocultamente. Meus dois filhos se casando e assumindo o comando do Reino!!! Que mãe não teria orgulho disso? Mas, eu fiquei mortificada e apreensiva. Nada fiz.
O tempo passou e logo ela estava grávida. Antes do nono mês, ela já se preparava para dar a luz e eu fui chamada para auxiliar no parto, junto com outras servas. Logo percebemos que ela teria duas crianças, pois o parto estava difícil. Porém, o pior estava por vir...
O parto estava muito complicado e não conseguíamos realizá-lo. O médico da realeza logo deu o diagnóstico: gêmeos siameses. Eu sabia o que isso significava: aconteceu porque eles eram irmãos. Mas, para a época isso era um sacrilégio e crianças assim eram consideradas aberrações. Eles seriam descartados como lixo. Eu não podia permitir... Eram meus netos. Então, mais uma vez agi contra o destino. Ofereci-me para levar as crianças. Decidi fugir com elas e criá-las. Eu já errara demais, não podia errar mais uma vez.
Antes de partir, procurei minha filha, enquanto estava em recuperação e contei-lhe toda a verdade. No começo ela apenas olhou-me e nada disse, mas depois gritou e exigiu que eu saísse de sua presença. Procurei também o pai dela (meu ex-marido), mostrei os gêmeos a ele e contei onde estive todos esses anos. Ele mostrou repulsa por mim...
Nada mais havendo a fazer, arrumei uma carroça com provisões para a viagem e deixei o reino com os bebês. Eu era responsável por eles. Na tradição da Antiga Deusa, gêmeos siameses eram venerados. Eu acreditava que eles tinham uma herança maldita, do antigo empalador e de tudo o que aconteceu... Mesmo assim, segui para a Noruega, levando-os comigo...
Durante o caminho encontrei uma caravana de saltimbancos e ajuntei-me a eles. Passei a me apresentar com eles, realizando números de mágicas e adivinhações. Eu também sabia usar cobras em meus números e isso cativava o público. Meus netos eram uma atração a parte... Dentro de uma jaula eles era observados pelos outros. A jaula era para protegê-los de qualquer barbárie. Alguns médicos e cientistas pediram para estudá-los e eles eram constantemente observados.
A Europa vivia um período de perseguições por conta do Catolicismo, mas a vida circense nos protegia, de certa forma, pois não representávamos perigo à Igreja. Mesmo afastada da vida na Suécia, eu pude acompanhar os últimos acontecimentos: Minha filha adoeceu e definhou... Saber a verdade de tudo não lhe fez bem e ela me culpou, com razão. Meu filho nunca soube de nada e casou-se novamente, dessa vez com a herdeira do reino vizinho (Dinamarca). Assim a "Escandinávia" permanecia unida. Meu ex-marido tornou-se uma pessoa amarga por causa de tudo o que aconteceu e por fim passou a beber até morrer.
Meus netos viveram 36 anos e eu vivi até os oitenta anos. Não casei mais, apenas cuidei de meus netos e vivi intensamente a vida circense. Tive alguns amores passageiros e só... Ao final de minha vida eu sabia manipular o veneno de quase todas as cobras e usava-os para curas diversas. Apesar de me chamarem de "A Feiticeira das Cobras", a Inquisição não me tocou, pois eu praticava a arte mágica como entretenimento e não era considerada um perigo à sociedade.
Após minha morte, descobri que meus netos foram dois irmãos gêmeos, que disputaram meu amor em outra vida. Como eles mataram-se por conta disso, nasceram "unidos" como siameses. Meu ex-marido foi meu filho e irmão de minha filha. Meu filho herdeiro fora meu esposo e acompanhou todo meu declínio. Por isso, nessa vida, ele foi afastado de mim. Meu outro filho, de quem quase não falei, foi uma pessoa normal e feliz. Ele tornou-se comerciante, casou, teve filhos e viveu honestamente no interior da Suécia.
Assim, foi que vivi essa vida: intensamente e com muitos acontecimentos. Quando eu descobri toda a minha história, após minha morte, resolvi buscar todos que fizeram parte dela. Procurei me apaziguar com eles e lutei pelo perdão de todos. A Espiritualidade Maior ofereceu-me a oportunidade de resgatar minhas dívidas através do trabalho mediúnico e tornei-me uma Pombagira. Assumi o nome de Lâmia, pois em minha cultura as "Lâmias" eram mulheres que sabiam seduzir e eram consideradas meio cobras e meio humanas.
Eu me sentia, muitas vezes, como uma das cobras que eu apresentava nos espetáculos: quieta, mas observadora. A cobra, em nossa cultura, representa a sabedoria e a sutileza feminina. E eu sabia como usar essa sutileza diariamente. Se eu me redimi de tudo só o tempo dirá, pois até hoje trabalho em busca de minha redenção.
 

Pombagira da Madrugada:

Quem eu era e quem eu sou...


Essa é minha história, como eu vivi e como me tornei um Pombagira. Desde muito nova eu fui criada por minha madrinha - mulher de frios costumes cristãos, muito rígida e dissimulada. A sociedade a tratava como benfeitora, mas na verdade, ela usava seu nome e suas posses para acumular riqueza e destruir famílias. Com a promessa de fornecer uma boa educação às moças do interior, ela as batizava quando pequenas e depois as buscava para morar com ela. Mas, a realidade era bem diferente...
Eu fui uma dessas moças pobres, que a família acreditou na promessa de uma vida melhor. Quando ela me tirou da casa de meus pais para levar-me à capital parisiense, eu tinha 11 anos. A família receberia todo mês uma mesada para poder se manter em troca de minha permanência na capital. Recebi aulas de etiqueta, piano, música, artes, matemática e francês. Tornei-me uma moça recatada e de fino trato. Em dois anos eu era um exemplo de moçoila bem educada!
Ela me levou às melhores lojas e me vestiu com esmero. Depois fez um baile para apresentar-me à sociedade. Em minha "Festa de Debutante" haviam muitos homens e algumas mulheres de alcunha duvidosa. Fui apresentada à todos, sem perceber no começo do que se tratava. Ao final do baile ela anunciou o leilão de minha virgindade e depois minha venda ao Cabaré que melhor pagasse. Fiquei desesperada quando percebi a real intenção de tudo, tentei fugir, mas a casa era bem guardada.
O leilão aconteceu e pelo burburinho percebi que eu era "uma das peças mais valiosas de sua coleção". Pagaram muito bem pela minha primeira vez. Um senhor, ouvi dizer que era um senador, foi quem me arrematou. Ele me levou para o quarto e não tardou em fazer o serviço. Fui usada de muitas maneiras e não pude reagir. Depois de uma noite inteira de aproveitamento, o senador entregou-me para a Dona de um Cabaré famoso.
O tempo todo pensei em minha família e em como voltaria pra casa. Eles precisavam do dinheiro que recebiam, então me conformei com meu destino. Cada noite, um cliente diferente desfrutava de muitas horas comigo. Por um mês eu fui novidade e fui disputada. As outras meninas diziam que eu seria como elas: apenas mais uma depois disso.
Mas, algo dentro de mim se modificou e eu passei a lutar obstinadamente pela minha vida e tornei-me diferente. Passei a seduzir e aprendi todas as artes do prazer e da luxúria. Em pouco tempo eu sabia dar a um homem tudo o que ele desejasse e tornei-me uma das preferidas do Cabaré. Após um ano, eu não era mais uma menina, eu era uma mulher sedutora e confiante. Ganhei a confiança da dona e passei a treinar outras meninas. De onde eu sabia tudo aquilo e como havia aprendido? A resposta, provavelmente, estava em outras vidas...
Após dez anos eu acumulei uma fortuna, ajudei minha família, mas nunca mais fui visitá-los, pois eu não era mais a doce menina que saiu de casa. Comprei minha liberdade e montei meu próprio Cabaré. Porém, eu fiz diferente de minha "madrinha", eu buscava as moças pobres da região, mas lhes contava a verdade sobre sua situação. Pagava um bom dinheiro à família e as levava comigo, treinava-as e lhes ensinava como não sofrer... Se houvessem meninos dispostos a ir comigo, eles se tornavam serviçais ou também podiam trabalhar na arte da sedução. Afinal, haviam mulheres dispostas a pagar muito bem por prazer.
Um dia visitei de forma disfarçada a minha madrinha, para agradecer-lhe o que fez por mim. Levei comigo cicuta e antes de sair despejei o veneno em seu chá... No outro dia eu soube que ela falecera durante a noite de mal súbito. Eu estava vingada! Não poderia ter minha antiga vida, mas ela não poderia ferir mais nenhuma menina. Esse ato, porém, não me deu paz de espírito. Eu não poderia voltar a ser a mesma pessoa, mas quem eu era, também não me deixava feliz...
Trabalhei por mais dois anos; treinei muitas meninas e escolhi uma para assumir meu lugar. Então, preparei-me para sair em viagem e fui conhecer o mundo. Eu descobri que estava com tuberculose e não teria muito tempo de vida. Minha viagem seria uma despedida de tudo. Consegui viajar por seis meses e quando estava na Índia, visitei um mosteiro... Procurei um monge e contei-lhe minha história. Ele me falou da reencarnação, do perdão e de uma nova chance. Ele me contou muitas histórias de santos e deu exemplos de grandes líderes que se transformaram.
Ele me convidou a pernoitar no mosteiro e eu morri ali, em paz, numa paz que há muito tempo eu não sentia! Quando cheguei ao outro lado eu fui recebida por outras moças com situação semelhante a minha e fui convidada a trabalhar com elas. Fui treinada e recebi uma roupagem fluídica, com um nome e uma missão: recolher as almas de outras moças perdidas. Assim tornei-me uma Pombagira e passei a trabalhar no Plano Espiritual. Foi uma forma de quitar minha dívida por tirar uma vida humana e de encontrar minha redenção pessoal.
 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

POMBA GIRA DAS MATAS


POMBA GIRA DAS MATAS (pedido)  Esta entidade de pomba-gira trabalha na linha de Oxossi, e muitas vezes se apresenta como a cabocla Jurema. Seus domínios é muito grande e seu condutor é o Exu da Mata. Esta entidade esta sempre disposta a ajudar a quem for pedir a sua ajuda. Ela se apresenta em forma de índia e sua oferendas são coloridas. Adora receber incenso ao invés de velas , prefere bandeja de flores e frutas e não gosta de cigarrilhas, bebe vinho tinto e suave e gosta de perfumes e adornos para usar nos braços e pernas.  Esta entidade trabalha para abertura de caminhos... sendo para a saúde e negócios... faz amarras de amor, mais só quando esta bem incorporada. Ajuda as pessoas a resolver problemas de justiça e achar objetos perdidos. Suas oferendas são ofertadas nos cruzeiros de matas ou em cima de árvores frondosas. Dispensa toalhas e papeis de seda por folhas de mamoneiro ou bananeiras. Saravá a Senhora das Matas!  Pontos Cantados  Do meio da mata se ouve um grito... o vento sopra em nossa direção,... trás em nossas narinas o perfume suave da dona das matas, juremas e nanas... Salve a mulher do arco-iris salve o exu coberto de flor... Vem chegando pomba-gira da mata... trazendo consigo muito mel e fervor.  #Vane
POMBA GIRA DAS MATAS (pedido)
Esta entidade de pomba-gira trabalha na linha de Oxossi, e muitas vezes se apresenta como a cabocla Jurema. Seus domínios é muito grande e seu condutor é o Exu da Mata. Esta entidade esta sempre disposta a ajudar a quem for pedir a sua ajuda. Ela se apresenta em forma de índia e sua oferendas são coloridas. Adora receber incenso ao invés de velas , prefere bandeja de flores e frutas e não gosta de cigarrilhas, bebe vinho tinto e suave e gosta de perfumes e adornos para usar nos braços e pernas.
Esta entidade trabalha para abertura de caminhos... sendo para a saúde e negócios... faz amarras de amor, mais só quando esta bem incorporada. Ajuda as pessoas a resolver problemas de justiça e achar objetos perdidos. Suas oferendas são ofertadas nos cruzeiros de matas ou em cima de árvores frondosas. Dispensa toalhas e papeis de seda por folhas de mamoneiro ou bananeiras. Saravá a Senhora das Matas!
Pontos Cantados
Do meio da mata se ouve um grito...
o vento sopra em nossa direção,...
trás em nossas narinas o perfume suave da dona das matas, juremas e nanas...
Salve a mulher do arco-iris salve o exu coberto de flor...
Vem chegando pomba-gira da mata...
trazendo consigo muito mel e fervor.